Campo Grande pode ficar sem tapa-buracos a partir de julho
As sete regiões de Campo Grande podem ficar sem o serviço de tapa-buracos a partir de julho, quando os contratos com as empresas responsáveis pelo serviço terminam e não serão renovados. Caso o projeto para a continuidade da operação não dê certo, a cidade pode ficar sem o serviço.
Reunião na terça-feira entre o atual titular da Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos (Sisep), André Brandão, e os vereadores de Campo Grande explicou a atual situação do serviço.
Conforme o que foi passado pelo secretário, quatro regiões de Campo Grande já estão com o serviço paralisado porque o saldo do contrato já foi utilizado e, conforme o que foi passado na reunião, ele não deve receber aditivo. Por este motivo, os contratos estão sem operação.
Avenida Delegado Alfredo Hardman, no Jardim Paulo Coelho Machado, está esburacada - Foto: Marcelo Victor/Correio do Estado
As quatro regiões são justamente as que estão sob a responsabilidade da Construtora Rial, alvo de investigação do Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) por suposta corrupção na medição de buracos e suposto recebimento indevido de recursos públicos.
A investigação do MPMS resultou na Operação Buraco Sem Fim, deflagrada pelo Grupo Especial de Combate à Corrupção (Gecoc), braço do MPMS, e que identificou “a existência de uma organização criminosa que atua fraudando, sistematicamente, a execução do serviço de manutenção de vias públicas no Município de Campo Grande, por meio da manipulação de medições e da realização de pagamentos indevidos”.
“As evidências revelaram pagamentos públicos que não correspondem aos serviços efetivamente prestados, com o propósito de permitir o desvio de dinheiro público, o enriquecimento ilícito dos investigados e, como consequência, a má qualidade das vias públicas municipais”, diz a nota do MPMS na época.
Ainda segundo a investigação, a empresa teria faturado, entre 2018 e 2025, “contratos e aditivos que somam o montante de R$ 113.702.491,02”.
Reportagem do Correio do Estado mostrou que a Construtora Rial, pivô do escândalo, é responsável pelo tapa-buraco de quatro das sete regiões da cidade: Anhanduizinho, Bandeira, Imbirussu e Segredo.
Somando o valor original desses contratos e seus aditivos, a parceria atual entre a empresa e a Sisep soma
R$ 114.608.571,16. E são essas regiões que já estão com o serviço paralisado.
SEM CONTRATO
De acordo com explicação do presidente da Câmara Municipal de Campo Grande, Epaminondas Neto, o Papy (PSDB), a Capital não planeja aditivar esses contratos e nem renová-los. A ideia seria usar o contrato fechado por meio do Consórcio Central-MS, composto por Campo Grande, Sidrolândia, Dois Irmãos do Buriti, Terenos e Jaraguari, que alugou uma usina de asfalto.
No entanto, segundo o presidente da Casa de Leis, não há garantia de que apenas esta usina consiga atender a todas as regiões da Capital.
“Eles [representantes da prefeitura] garantiram que não vão aditivar esses contrados, principalmente para as empresas investigadas e estão focados em usar o consórcio para atender o tapa-buraco em todas as regiões, mas não há garantia de que eles darão conta de todas as regiões, e se isso acontecer, a Capital pode ficar sem tapa-buraco”, declarou Papy ao Correio do Estado.
Para que isso não aconteça, segundo o presidente da Câmara, foram dadas algumas sugestões, entre elas uma licitação de emergência, caso a fábrica do consórcio não consiga atender a demanda por asfalto.
Durante a reunião, o secretário André Brandão afirmou que no início de julho a Sisep deve colocar mais equipes para realizar o serviço.
“Nós já vamos colocar novas equipes para poder atuar e no decorrer de julho a gente consegue complementar esse quadro, para que entre agosto com uma produção muito maior do que estamos fazendo”, declarou o secretário.
* Saiba
Durante a Operação Buraco Sem Fim, em maio, foram presas sete pessoas, entre elas, o ex-secretário de Infraestrutura Rudi Fiorese, o engenheiro da Sisep Mehdi Talayeh e o dono da Rial, Antônio Bittencourt Jacques Pedrosa.
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