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Campo Grande,03/07/2026

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Boca de fumo tem movimento à luz do dia na "cracolândia" da Capital

correiodoestado.com.br
Boca de fumo tem movimento à luz do dia na "cracolândia" da Capital

Próximas da Avenida Presidente Ernesto Geisel e em uma região conhecida por ser tomada por usuários de drogas, as Ruas Bom Sucesso, Sol Nascente e do Himalaia compõem a área de boca de fumo que tem uma intensa movimentação, mesmo à luz do dia, remetendo a uma espécie de “cracolândia” campo-grandense.

Durante visita da reportagem à região, chamou atenção a quantidade de pessoas em situação de rua perambulando pela área, o que não é novidade para quem vive por ali, e também a quantidade de pessoas comprando e usando drogas em plena luz do dia, inclusive jovens que aparentavam ser menores de 18 anos.

Na Rua Bom Sucesso, que divide a Vila Marcos Roberto e o Jardim Nhanhá, a situação é crítica para comerciantes e moradores, justamente por ser o centro da boca de fumo da região.

No local é possível observar diversos usuários de droga, o que traz medo e instabilidade para as pessoas que trabalham e vivem nas proximidades.

A empresária Renata Costa, de 36 anos, que tem um estabelecimento de manutenção técnica de aparelhos eletrônicos há cinco anos na esquina da Avenida Ernesto Geisel com a Rua Jaciro de Souza Silva, relata que a situação vem piorando com o passar dos anos, mesmo que nunca tenha presenciado uma ocorrência criminal.

“É complicado porque a gente sabe que existem vários tipos de serviços de apoio para tirar as pessoas da rua, mas também existe uma falta de vontade deles. Como a assistência social às vezes libera para eles um cobertor ou alimento, eles ficam por aqui porque eles sabem que alguém vai oferecer alguma coisa”, disse.

Ainda segundo Renata, a obra no local não está solucionando este problema, apenas “empurrando com a barriga”, pois mesmo que a limpeza dos funcionários obrigue as pessoas em situação de rua a retirarem suas barracas do local, eles apenas se abrigam quilômetros a frente, perto da Avenida Manoel da Costa Lima.

“A gente passa aqui no horário noturno, o pessoal está aqui na frente [do estabelecimento] usando droga. Está cada vez pior a quantidade de moradores de rua e andarilhos. Os garagistas [donos da loja do outro lado da avenida] sempre chamam a polícia, que tira eles, mas, quando os policiais vão embora, eles voltam rindo da cara dos empresários, não estão nem ligando”, relatou Renata.

Usuários de drogas tomaram a divisa entre o Jardim Nhanhá e a Vila Marcos Roberto, transformando a região na “cracolândia” da Capital
Foto: Gerson Oliveira / Correio do Estado

OBRA

Vale lembrar que a obra feita no local começou em setembro de 2024, com investimento de R$ 20,9 milhões, proveniente de recursos do governo de Mato Grosso do Sul, do governo federal, por meio do Novo Programa de Aceleração do Crescimento (Novo PAC) e da Prefeitura de Campo Grande.

O trecho crítico da Avenida Ernesto Geisel está localizado entre a Avenida Manoel da Costa Lima e a Rua Santa Adélia, em que deve ser levantado um paredão de pedra (gabião). No momento, a revitalização ocorre da Rua Bom Sucesso até a Rua da Abolição.

Em julho do ano passado, a prefeita Adriane Lopes (PP) afirmou que 65% da obra estava concluída e que a previsão de entrega era fevereiro deste ano. Porém, passados cinco meses, a revitalização não aparenta estar próxima de ficar pronta.

Com a obra em andamento, algumas pessoas em situação de rua que moram nos barrancos estão sendo retiradas do local para limpeza e futura construção do gabião.

São essas pessoas que, segundo os moradores, têm perambulado pelos bairros da região e alavancado a venda de drogas nas bocas de fumo.

RODOVIÁRIA

Outro trecho da cidade que é conhecido pelo grande número de pessoas em situação de rua e usuários de drogas é o Terminal Heitor Eduardo Laburu, a antiga rodoviária de Campo Grande, na Rua Barão do Rio Branco.

A reforma da antiga rodoviária, prometida há três anos, foi novamente adiada pela Prefeitura de Campo Grande em dezembro do ano passado, com prazo que também já venceu, junho deste ano. A obra promete resolver a situação.

Com ordem de serviço assinada no dia 15 de junho de 2022, a reforma deveria ser entregue em junho do ano seguinte, em celebração dos 124 anos da Capital, comemorados em agosto. De lá para cá, o contrato sofreu uma série de prorrogações, tanto de prazo de entrega quanto financeiras.

Enquanto isso, pessoas em situação de rua ocupam áreas próximas do prédio. Na visita da reportagem, foram observadas diversas pessoas nas vias laterais, especialmente na Rua Joaquim Nabuco.

Há um mês, cinco homens foram assaltados e agredidos a pedradas na esquina da Rua Joaquim Nabuco com a Avenida Marechal Rondon, nas proximidades da antiga rodoviária.

Dos cinco, três sofreram lesões na cabeça e tiveram de ser encaminhados a unidades de terapia intensiva (UTIs) da Santa Casa, onde recebem cuidados médicos. Três celulares foram subtraídos das vítimas, sendo dois da marca Motorola e um da marca Samsung.

De acordo com o boletim de ocorrência, duas pessoas assaltaram cinco homens nas imediações da antiga rodoviária. Em seguida, as vítimas entraram em luta com os assaltantes, na tentativa de recuperar os objetos. 

No entanto, elas foram agredidas com pedradas, tiveram graves ferimentos na cabeça e foram socorridas por populares.




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