Pecuária mais intensiva exige gestão para evitar prejuízos, diz consultor
A pecuária de Mato Grosso do Sul vive uma transformação impulsionada pelo avanço da soja, das florestas plantadas, da citricultura e da produção de etanol de milho. Com menos áreas disponíveis para pastagens, a saída encontrada por muitos produtores tem sido intensificar os sistemas de produção, aumentando a produtividade por hectare. Mas produzir mais também significa assumir riscos maiores. O alerta é do médico-veterinário Renan Maciel, da Aliança Assessoria e Consultoria Pecuária, que defende que a intensificação só traz resultados quando vem acompanhada de planejamento, controle de custos e gestão financeira da propriedade. A análise foi apresentada durante a divulgação dos resultados do Benchmarking da Estação de Monta 2025/2026, promovido pelo Grupo Aliança Assessoria e Consultoria Pecuária, em Campo Grande. "Conforme eu intensifico uma área, aumento o meu risco. Se eu não estou olhando alguns semáforos, como o custo da arroba produzida ou o ágio na compra dos animais, posso comprar em um momento errado e ter prejuízo na hora da venda", afirma. Segundo Renan, a intensificação da pecuária tornou ainda mais importante o acompanhamento dos indicadores econômicos da propriedade. Na avaliação dele, muitos produtores dominam a parte técnica da produção, mas ainda encontram dificuldades para transformar informações financeiras em ferramentas para a tomada de decisão. "O produtor precisa entender quanto custa produzir a sua arroba, montar o fluxo de caixa, planejar as compras e as vendas. Hoje isso faz tanta diferença quanto produzir bem." O consultor destaca que o cenário atual da pecuária sul-mato-grossense exige uma visão cada vez mais empresarial da atividade. "A lavoura se expandiu. Nós estamos concorrendo com a floresta. Ainda mais nesse cenário, o produtor vai precisar entender os números para não planejar errado." Confinamento deve crescer, mas milho exige atenção Na avaliação do médico-veterinário, a tendência é que Mato Grosso do Sul avance cada vez mais para sistemas de semiconfinamento e confinamento, consequência direta da intensificação da pecuária. Ele ressalta, porém, que essa estratégia exige atenção aos custos, principalmente ao preço do milho, principal insumo utilizado na alimentação dos animais confinados. "O milho pode oscilar bastante porque hoje temos grandes consumidores no Estado, como as usinas de etanol de milho. Isso precisa entrar na conta do produtor." Renan cita a presença de grandes indústrias processadoras de milho em Mato Grosso do Sul, como as unidades da Inpasa e da Coamo, que ampliaram a demanda pelo grão e podem influenciar sua precificação. Segundo ele, antes de optar pelo confinamento, o produtor deve explorar ao máximo o potencial das pastagens. "A melhor arroba continua sendo a produzida no pasto. Primeiro o produtor precisa atingir o limite da capacidade da pastagem. Depois disso, o confinamento passa a ser uma ferramenta para aumentar a produção." Evento marca início de um novo ciclo da pecuária Para Renan Maciel, o Benchmarking da Estação de Monta representa um dos momentos mais importantes do calendário da pecuária de corte, por marcar o encerramento de um ciclo produtivo e o planejamento da safra seguinte. É nesse período, segundo ele, que os produtores avaliam os resultados da estação de monta, organizam o fluxo de caixa, definem estratégias para a produção de bezerros e começam a desenhar as decisões que serão tomadas ao longo dos próximos meses. "É o momento de encerrar um ciclo e começar outro. O planejamento da fazenda acontece agora." Na avaliação do consultor, em um ambiente de margens cada vez mais apertadas e decisões mais complexas, conhecer os números da propriedade deixou de ser um diferencial e passou a ser uma condição para manter a competitividade da pecuária.




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