Antes de férias, juiz decretou prisão de Neno por “risco à ordem pública”
A prisão de Roberto Razuk Filho, o Neno, alvo da Operação Successione, foi decretada em caráter preventivo pelo juiz José Henrique Káster Franco, titular da 4ª Vara Criminal de Campo Grande, e está diretamente relacionada à perda do mandato parlamentar, ocorrida em maio deste ano. Conforme apurado pelo Campo Grande News , a decisão não integra o processo em que o ex-parlamentar já foi condenado em primeira instância por organização criminosa e exploração do jogo do bicho. A ordem foi expedida em outra ação penal decorrente da Successione. Até a cassação do mandato, Razuk detinha a prerrogativa do foro privilegiado, mas com a vacância da cadeira na Assembleia Legislativa, declarada em maio, o obstáculo processual deixou de existir. Ao decretar a prisão, o juiz entendeu que existem requisitos para a segregação cautelar, como o risco à ordem pública, uma vez que o ex-parlamentar é apontado pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial e Repressão ao Crime Organizado) como liderança na organização. A investigação demonstrou ainda que o grupo criminoso continuaria em atividade, o que, segundo o entendimento judicial, justificaria a medida para interromper a suposta continuidade das práticas criminosas e resguardar a instrução do processo, garantindo que seja feita justiça. O magistrado assinou a ordem de prisão e saiu de férias, também conforme apuração do Campo Grande News . Conforme escala publicada no site do TJMS (Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul) ele saiu de folga no dia 6 e ficará fora do trabalho até o dia 20 deste mês. Quem prende? – A reportagem questionou o Gaeco, a Sejusp (Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública), a PMMS (Polícia Militar de Mato Grosso do Sul) e a Polícia Civil sobre o cumprimento do mandado e sobre quando o ex-deputado será considerado foragido da Justiça, caso não se apresente, mas, até o fechamento deste texto, não havia recebido os retornos. O Gaeco informou apenas que "em razão do sigilo processual, não é possível divulgar informações adicionais neste momento". Conforme apurado, formalmente, o cumprimento de ordens de prisão é atribuição da Polícia Civil. A PM, portanto, não fará buscas por Roberto Razuk Filho, mas policiais militares têm obrigação de prender o ex-deputado caso o encontrem em alguma abordagem. O cenário – O ex-deputado estadual é réu na quarta fase da Successione, que foi realizada em 25 de novembro de 2025. A ação prendeu Roberto Razuk, Jorge Razuk Neto e Rafael Godoy Razuk. O primeiro é o pai de Neno, enquanto os outros dois são irmãos. Segundo o MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul), o trio forma o núcleo duro da organização. A Successione investiga os crimes de organização criminosa, roubo, corrupção passiva e ativa, violação de sigilo funcional, lavagem de dinheiro e contravenção penal de estabelecimento e exploração de jogos de azar. Durante as diligências, foram apreendidas mais de 700 máquinas de apostas, armas de fogo, munições e mais de R$ 270 mil em dinheiro. Documentos financeiros também indicam a aquisição de bens móveis e imóveis em nome de terceiros como estratégia para ocultar a origem dos recursos. A primeira fase da operação foi deflagrada pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado) em 5 de dezembro de 2023, após disputa pelo jogo do bicho em Campo Grande. Outro lado – O ex-deputado estadual sempre negou envolvimento com o crime. O Campo Grande News não conseguiu contato com Neno Razuk, que está com o celular desligado ou fora de área. Pela manhã, a defesa informou que não teve acesso à decisão e também não disse onde o ex-deputado está. “A defesa ainda não teve acesso a esse mandado de prisão, portanto precisamos aguardar antes de realizar qualquer manifestação acerca do tema”, afirma o advogado Roberto Razuk Neto, que nesta tarde não atendeu às ligações e não respondeu às mensagens enviadas pela reportagem.




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