Seja bem-vindo
Campo Grande,02/07/2026

  • A +
  • A -
Publicidade

Pesquisa mostra avanço de eleitores nem bolsonaristas nem lulistas no Estado

correiodoestado.com.br
Pesquisa mostra avanço de eleitores nem bolsonaristas nem lulistas no Estado

Pesquisa de opinião contratada pelo Correio do Estado e realizada pelo Instituto de Pesquisa Resultado (IPR) de 9 e 13 de junho revela que, embora Mato Grosso do Sul mantenha predominância do eleitorado de direita, cresce o contingente de pessoas que não se identificam diretamente nem com o bolsonarismo nem com o lulismo.

O levantamento mostra um cenário em que a polarização nacional convive com um grupo expressivo de eleitores que prefere se declarar independente.

Quando questionados sobre o posicionamento ideológico com o qual mais se identificam, 41,58% dos entrevistados disseram ser de direita e outros 6,38% afirmaram se considerar de centro-direita, juntos, os dois grupos representam 47,96% do eleitorado sul-mato-grossense.

No outro extremo, 15,05% declararam identificação com a esquerda, enquanto 3,06% se posicionaram como centro-esquerda e outros 8,67% afirmaram ser de centro.

A pesquisa também apontou um porcentual significativo de eleitores que não se enquadram em nenhuma dessas classificações.

Ao todo, 25,26% responderam que não sabem ou preferiam não responder à pergunta sobre posicionamento ideológico, indicando um eleitorado distante das definições políticas tradicionais.

O levantamento também procurou medir o grau de identificação dos eleitores com as duas principais correntes políticas que dominam o cenário nacional.

Entre os entrevistados, 19,77% afirmaram ser bolsonaristas, enquanto um porcentual ainda maior, de 27,17%, declarou não se considerar bolsonarista, mas simpatizar mais com as ideias da direita.

O resultado indica que o campo conservador no Estado reúne apoiadores que nem sempre vinculam sua identidade política diretamente ao ex-presidente.

No campo da esquerda, 14,16% disseram ser lulistas, enquanto outros 12,76% afirmaram não se considerar lulistas, mas demonstraram maior afinidade com as ideias defendidas pela esquerda.

O dado que mais chama atenção é o crescimento do grupo dos independentes, pois, conforme a pesquisa, 22,45% dos entrevistados afirmaram não se identificar nem com o bolsonarismo nem com o lulismo.

Somados aos 3,70% que não souberam ou preferiram não responder, eles representam mais de um quarto do eleitorado estadual.

Os números indicam que Mato Grosso do Sul continua apresentando predominância do campo conservador, mas também evidenciam um eleitorado menos disposto a aderir automaticamente às principais lideranças nacionais.

A presença de um contingente expressivo de eleitores independentes sugere que as próximas disputas eleitorais no Estado poderão ser decididas por um segmento que tende a avaliar candidaturas mais pelas propostas e o desempenho administrativo do que pelo alinhamento com os polos da atual polarização política.



DADOS DA PESQUISA

Com intervalo de confiança de 95% e margem de erro de 3,5 pontos porcentuais para mais ou para menos, a pesquisa IPR/Correio do Estado, registrada sob os números BR-00547/2026 e MS-02355/2026, ouviu 784 pessoas com 16 anos ou mais de idade.

Os entrevistados estão distribuídos pelos municípios de Amambai, Aquidauana, Anastácio, Campo Grande, Sidrolândia, São Gabriel do Oeste, Corumbá, Coxim, Dourados, Maracaju, Rio Brilhante, Bonito, Jardim, Naviraí, Mundo Novo, Nova Andradina, Paranaíba, Chapadão do Sul, Cassilândia, Ponta Porã e Três Lagoas.

Essas 21 localidades representam 68% do total de 1,8 milhão de eleitores sul-mato-grossense, ou seja, 1,2 milhão de eleitores.

Ao ser realizado nesses municípios do Estado, o levantamento cobre a maior parte da capacidade eleitoral de Mato Grosso do Sul, isto é, oferece uma fotografia extremamente fiel do cenário real, já que pequenos municípios têm baixo peso estatístico.



ANÁLISE

Diretor vê protagonismo dos eleitores independentes

O diretor do Instituto de Pesquisa Resultado (IPR), Aruaque Fressato Barbosa, analisou que a pesquisa demonstrou que Mato Grosso do Sul mantém um perfil majoritariamente conservador, mas também aponta uma mudança importante no comportamento do eleitorado: cresce o número de pessoas que não vinculam sua identidade política ao ex-presidente Jair Bolsonaro ou ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Para ele, os números demonstram que o Estado continua oferecendo vantagem eleitoral para candidatos identificados com pautas conservadoras, embora o personalismo político esteja perdendo força com uma parcela crescente de eleitores que prefere manter independência em relação às principais lideranças nacionais.


“Mato Grosso do Sul é um estado conservador, mas isso não significa necessariamente que seja bolsonarista. A pesquisa mostra que existe um eleitorado muito maior identificado com as ideias da direita do que propriamente com a figura de Jair Bolsonaro”, analisou.


Para Barbosa, essa diferença indica que candidatos alinhados ao campo conservador tendem a disputar uma base eleitoral mais ampla, desde que consigam dialogar com eleitores que valorizam determinadas pautas sem necessariamente aderirem ao bolsonarismo.

“Os candidatos que apresentarem propostas alinhadas à direita têm hoje uma fatia maior do eleitorado para conquistar. Mas isso não significa que a identificação pessoal com Bolsonaro seja determinante para obter esse apoio”, afirmou.

Outro aspecto destacado pelo diretor do IPR é o crescimento do eleitorado independente. Na avaliação de Barbosa, esse movimento acompanha uma tendência observada em levantamentos nacionais, nos quais aumenta o número de eleitores que rejeitam a polarização entre os dois principais grupos políticos do País.


“Cada vez mais pessoas deixam de assumir uma identidade ideológica ligada à direita ou à esquerda. Muitos preferem se declarar independentes ou até se posicionar como de centro justamente para não serem rotulados como bolsonaristas ou lulistas”, explicou.


O diretor ressalta que esse grupo tende a ganhar importância nas próximas eleições por reunir eleitores menos fiéis a lideranças nacionais e mais propensos a avaliar candidatos pelas propostas e o desempenho administrativo.

Para ele, o levantamento mostra que, embora Mato Grosso do Sul continue sendo um estado de perfil conservador, o voto está cada vez menos concentrado na lógica da polarização.




COMENTÁRIOS

Buscar

Alterar Local

Anuncie Aqui

Escolha abaixo onde deseja anunciar.

Efetue o Login

Baixe o Nosso Aplicativo!

Tenha todas as novidades na palma da sua mão.