Músico acusado de matar Vanessa vai a júri popular por feminicídio e outros dois crimes
O músico Caio Nascimento irá a júri popular por feminicídio, acusado de matar a jornalista Vanessa Ricarte, em Campo Grande. O crime aconteceu em 12 de fevereiro de 2025 e a sentença de pronúncia foi publicada no Diário da Justiça dessa quarta-feira (1º), em decisão do juiz da 1ª Vara do Tribunal do Júri, Carlos Alberto Garcete.
Ele responderá por feminicídio qualificado pelo motivo torpe e com abuso de autoridade ou prevalecendo-se de relações domésticas, violência psicológica a cárcere privado.
O processo segue sob segredo de Justiça e a data do julgamento ainda não foi marcada.
As audiências de instrução e julgamento, onde foram ouvidas testemunhas e o réu, foram realizadas em março deste ano. Na sequência, houve o prazo para as alegações finais da defesa e do Ministério Público Estadual (MPM), até a sentença de pronúncia, onde o juiz acolheu os termos da denúncia e decidiu pelo julgamento por júri popular.
Na época das audiências, o juiz Carlos Alberto Garcete, esclareceu que, via de regra, processos de feminicídio têm tramitação mais rápida e recebem tratamento prioritário no Judiciário.
No entanto, este caso específico se tornou uma exceção, em razão do grande volume de recursos e incidentes processuais, que precisaram ser analisados tanto pelo juízo de primeiro grau quanto pelo Tribunal.
"Esses recursos foram analisados e incluíram, entre outros pontos, discussões sobre o recebimento da denúncia, inclusão de novos crimes, acesso a mídias apreendidas e pedidos de esclarecimentos por meio de embargos de declaração. Durante esse tempo, o processo precisou aguardar decisões de instâncias superiores, o que impactou o andamento", disse o TJMS, em nota, na ocasião.
O caso
Vanessa foi morta a facadas pelo noivo no dia 12 de fevereiro de 2025 (Foto: Redes Sociais)
A jornalista e servidora do Ministério Público do Trabalho (MPT), Vanessa Ricarte, de 42 anos, foi morta a facadas pelo ex-noivo, o músico Caio Nascimento, no dia 12 de fevereiro de 2025.
O caso ganhou repercussão nacional após divulgação de áudios da vítima, onde ela narrava ter sido tratada com descaso e não ter tido apoio policial solicitado após a concessão de medida protetiva contra o ex. Vanessa morreu horas depois.
O boletim de ocorrência foi registrado na noite de terça-feira (11) e Vanessa retornou à Deam na quarta-feira (12) à tarde para verificar o andamento do pedido da medida protetiva, que foi deferido pelo Poder Judiciário.
Ao sair da Deam, já com a medida protetiva contra o ex deferida, a vítima foi com um amigo para buscar seus pertences, sendo surpreendida pelo ex-noivo, que aproveitou o momento em que o amigo de Vanessa ligava para pedir ajuda a outra pessoa e a atingiu com três facadas no peito, próximo ao coração.
O amigo de Vanessa a levou para dentro de um quarto e trancou-se lá com ela, à espera de ajuda. Ele acionou a polícia nesse período, com o agressor esmurrando a porta.
Ela chegou a ser encaminhada para a Santa Casa, mas não resistiu aos ferimentos e morreu no hospital.
Caio foi preso ainda no local e teve a prisão em flagrante convertida em preventiva em audiência de custódia.
Ele foi denunciado pelo Ministério Público de Mato Grosso do Sul em quatro crimes, por assassinar a ex-noiva. Caso seja condenado nas penas máximas, ele pode pegar 65 anos de cadeia.
O músico também era acusado de tentativa de homicídio contra o amigo da vítima, mas para este caso ele foi impronunciado.
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