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Campo Grande,18/06/2026

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Inadimplência desacelera no País, mas segue em alta em Mato Grosso do Sul

correiodoestado.com.br
Inadimplência desacelera no País, mas segue em alta em Mato Grosso do Sul

Apesar dos sinais de desaceleração da inadimplência no Brasil, Mato Grosso do Sul segue na contramão da tendência nacional.

Dados divulgados pela Serasa mostram que o número de consumidores com o nome negativado continuou crescendo no Estado em maio, mesmo em um cenário em que parte do País já apresenta redução no volume de devedores.

O novo levantamento do Mapa da Inadimplência e Renegociação de Dívidas da Serasa revela que o crescimento da inadimplência brasileira foi o menor registrado desde o início deste ano.

Em maio, 113 mil novos CPFs foram incluídos nos cadastros de restrição ao crédito, uma alta de apenas 0,14% em relação ao mês anterior.

Além disso, das 27 unidades da federação, 14 apresentaram redução no número de consumidores inadimplentes, sinalizando uma mudança de ritmo após meses de crescimento acelerado.

Em Mato Grosso do Sul, entretanto, o movimento foi oposto. O número de inadimplentes passou de 1.304.115 em abril para 1.306.986 em maio, um acréscimo de 2.871 pessoas. Na comparação mensal, a alta foi de 0,22%.

O que significa que, enquanto parte dos estados brasileiros conseguiu reduzir o contingente de consumidores com restrições de crédito, Mato Grosso do Sul adicionou novos nomes à lista de negativados.

Parte do recuo se deve principalmente ao início da nova fase do programa do governo federal Desenrola, que oferece juros reduzidos para a renegociação de dívidas.

O programa passou a valer no mês passado, mas para Mato Grosso do Sul ainda não foi efetivo. 

Os números reforçam uma realidade já observada ao longo dos últimos meses no Estado. Em diversas pesquisas divulgadas pela Serasa, MS tem apresentado crescimento contínuo da inadimplência, mesmo diante de programas de renegociação de dívidas e de um mercado de trabalho considerado aquecido.

Segundo a diretora da Serasa, Aline Maciel, os dados nacionais mostram que as campanhas de renegociação começam a produzir efeitos.

“Apesar de ainda vermos um crescimento na inadimplência, os dados indicam uma desaceleração importante perante os meses anteriores e mostram um reflexo positivo do crescimento recente nas negociações de dívidas”, afirmou.

Ela ressalta, porém, que a renegociação, sozinha, não resolve o problema estrutural do endividamento das famílias. “Apesar do alívio que a negociação de dívidas traz ao brasileiro, sempre reforçamos que esse momento deve motivar uma organização financeira familiar para evitar uma nova inadimplência”, completou.

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JUROS

Especialistas apontam que a manutenção dos juros em patamares elevados continua sendo um dos principais fatores de pressão sobre o orçamento das famílias brasileiras.

Com a taxa Selic ainda em nível restritivo, o crédito permanece mais caro, elevando o custo de financiamentos, empréstimos e do uso do cartão de crédito.

Ao mesmo tempo, parte da renda das famílias segue comprometida com despesas básicas, o que reduz a capacidade de pagamento de dívidas acumuladas nos últimos anos.

Em Mato Grosso do Sul, esse cenário é agravado pelo aumento do custo de vida observado nos últimos meses. Conforme já publicado pelo Correio do Estado, Campo Grande, por exemplo, foi a capital com a maior inflação do País no mês de maio, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O mestre em Economia Eugênio Pavão, aponta que com a perda de poder de compra e o aumento do custo de vida, as famílias têm usado o crédito como extensão da renda. Esse comportamento, segundo ele, transforma o endividamento em condição de sobrevivência.

“Estamos diante de um endividamento estrutural, que não é mais apenas fruto de consumo, mas de sobrevivência”, avalia.

NÚMEROS

No Brasil, o volume total de débitos negativados alcançou um novo patamar em maio. Os brasileiros acumulam atualmente 344 milhões de dívidas em atraso, que somam mais de R$ 574 bilhões.

O valor médio devido por consumidor chegou a R$ 6.877,23, evidenciando o peso crescente do endividamento sobre os orçamentos familiares.

Os bancos e instituições financeiras seguem liderando a origem das dívidas. 

O segmento responde por 46,87% dos débitos negativados em todo o País, embora tenha registrado uma leve retração de 0,4% na comparação com o mês anterior.

Na sequência aparecem contas básicas, financeiras não bancárias, varejo e serviços diversos.

Com população estimada em cerca de 2,9 milhões de habitantes, Mato Grosso do Sul encerrou maio com mais de 1,3 milhão de consumidores inadimplentes.

Isso significa que aproximadamente quatro em cada dez moradores do Estado têm alguma pendência financeira registrada nos órgãos de proteção ao crédito. 

Os números mostram que o endividamento dos sul-mato-grossenses vai além do crescimento no número de inadimplentes.

Em maio, os 1,306 milhão de consumidores negativados acumulavam 6,13 milhões de dívidas em atraso, que somavam R$ 10,96 bilhões. Na média, cada inadimplente tinha cerca de 4,7 débitos registrados nos órgãos de proteção ao crédito. 

O valor devido pelos consumidores de Mato Grosso do Sul também supera a média nacional. Enquanto no Brasil cada inadimplente devia, em média, R$ 6.877,23, no Estado o débito médio alcançou R$ 8.387,91, quase 22% acima do registrado no País. Já o valor médio de cada dívida chegou a R$ 1.788,19, evidenciando o peso das pendências financeiras sobre o orçamento das famílias sul-mato-grossenses. Campo Grande concentra a maior parte desse passivo financeiro.

A Capital encerrou maio com 502.598 inadimplentes, responsáveis por 2,67 milhões de dívidas que somam R$ 4,91 bilhões. Em seguida aparecem Dourados, com 108,5 mil inadimplentes e R$ 962,7 milhões em débitos, Três Lagoas, com R$ 472,6 milhões, Corumbá, com R$ 363,8 milhões, e Ponta Porã, com R$ 301,2 milhões em dívidas acumuladas.

Entre os tipos de dívida, os débitos com bancos e cartões de crédito lideram o ranking em Mato Grosso do Sul, respondendo por 28,76% do total.

Na sequência aparecem contas de água, energia e gás (17,10%), financeiras (17,97%) e serviços diversos (14,25%), demonstrando que a inadimplência no Estado está espalhada tanto entre compromissos básicos do dia a dia quanto em operações de crédito.

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